quinta-feira, 5 de junho de 2014

QUEM GANHA COM A COPA DO MUNDO?

De quatro em quatro anos o país é tomado por um ferrenho sentimento de patriotismo. A paixão que o brasileiro tem pelo futebol, que respeito inclusive, sempre foi “capitalizada” por governos, classes dominantes e grandes corporações. Na copa de 70, durante o regime militar, enquanto muitos eram assassinados nos porões da ditadura o hit do momento era “Prá Frente Brasil, salve a seleção”. Hoje os hits são outros. “Somos todos um só”, mas o objetivo é o mesmo: pura alienação. A propaganda de união e igualdade nacional está novamente à serviço de poucos.
Para realizar a Copa de 2014 cogita-se que o Governo Federal desembolse algo em torno de R$ 34 bilhões. O argumento é que será deixado um grande legado para o país e que o turismo arrecadará para os cofres públicos. Mas quem ganha com a Copa?
A Lei Federal 12.663 aprovada em 2012 trata sobre medidas que serão aplicadas durante a Copa. Algumas chamam a atenção, entre elas a que proíbe a venda por ambulantes não credenciados à FIFA nas imediações dos estádios. A mesma lei responsabiliza a União, por danos causados à FIFA em razão de qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado à Copa. Também concedeu um prêmio de R$ 100 mil para jogadores da seleção que foram campeões mundiais. Tudo bancado com os impostos que pagamos.
Enquanto setores como a saúde, educação e transporte cada vez estão mais precários ficou famosa a frase do jogador que disse “Não se faz uma copa com hospitais”.  É verdade. Com R$ 34 bilhões se faz apenas uma copa. Mas com salário digno, saúde, educação e transporte de qualidade se faz uma nação.  
Muitos tem criticado as manifestações e greves que tem antecedido a Copa. Argumentam que não é o melhor momento para manifestações devido o risco de prejuízo financeiro ao país causado por investidores internacionais assustados com a onda de manifestações. Um argumento que atende os interesses de governos e grandes investidores. É exatamente isso que eles dizem.
Oras, um país que gasta R$ 34 bilhões para realizar uma copa causa indignação em quem usa a saúde pública, quem estuda numa escola em que faltam professores ou que se aperta como sardinha num ônibus lotado de passagem cara. E de passagem cara o maringaense entende bem.

Por fim, se pudessem escolher, muitos abririam mão do “legado” da copa para receber um salário digno e para ser atendido por serviços públicos de qualidade. Mas ao contrário disso, passivamente enriquecemos a FIFA e grandes investidores, todos bancados pelo o dinheiro público.   Mas do que importa? Todos estão felizes. Foi  gol do Brasil... sil... sil... !

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