quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Assédio Moral no Ambiente de Trabalho: Danos da humilhação à saúde

 

A humilhação constitui um risco invisível, porém concreto nas relações de trabalho e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, revelando uma das formas mais poderosa de violência sutil nas relações organizacionais, sendo mais freqüente com as mulheres e adoecidos. Sua reposição se realiza ’invisivelmente’ nas práticas perversas e arrogantes das relações autoritárias na empresa e sociedade. A humilhação repetitiva e prolongada tornou-se prática costumeira no interior das empresas, onde predomina o menosprezo e indiferença pelo sofrimento dos trabalhadores/as, que mesmo adoecidos/as, continuam trabalhando.

Freqüentemente os trabalhadores/as adoecidos são responsabilizados/as pela queda da produção, acidentes e doenças, desqualificação profissional, demissão e conseqüente desemprego. São atitudes como estas que reforçam o medo individual ao mesmo tempo em que aumenta a submissão coletiva construída e alicerçada no medo. Por medo, passam a produzir acima de suas forças, ocultando suas queixas e evitando, simultaneamente, serem humilhados/as e demitidos/as.

Os laços afetivos que permitem a resistência, a troca de informações e comunicações entre colegas, se tornam ’alvo preferencial’ de controle das chefias se ’alguém’ do grupo, transgride a norma instituída. A violência no intramuros se concretiza em intimidações, difamações, ironias e constrangimento do ’transgressor’ diante de todos, como forma de impor controle e manter a ordem.
Em muitas sociedades, ridicularizar ou ironizar crianças constitui uma forma eficaz de controle, pois ser alvo de ironias entre os amigos é devastador e simultaneamente depressivo. Neste sentido, as ironias mostram-se mais eficazes que o próprio castigo. O/A trabalhador/a humilhado/a ou constrangido/a passa a vivenciar depressão, angustia, distúrbios do sono, conflitos internos e sentimentos confusos que reafirmam o sentimento de fracasso e inutilidade.

As emoções são constitutivas de nosso ser, independente do sexo. Entretanto a manifestação dos sentimentos e emoções nas situações de humilhação e constrangimentos são diferenciadas segundo o sexo: enquanto as mulheres são mais humilhadas e expressam sua indignação com choro, tristeza, ressentimentos e mágoas, estranhando o ambiente ao qual identificava como seu, os homens sentem-se revoltados, indignados, desonrados, com raiva, traídos e têm vontade de vingar-se. Sentem-se envergonhados diante da mulher e dos filhos, sobressaindo o sentimento de inutilidade, fracasso e baixa auto-estima. Isolam-se da família, evitam contar o acontecido aos amigos, passando a vivenciar sentimentos de irritabilidade, vazio, revolta e fracasso.

Passam a conviver com depressão, palpitações, tremores, distúrbios do sono, hipertensão, distúrbios digestivos, dores generalizadas, alteração da libido e pensamentos ou tentativas de suicídios que configuram um cotidiano sofrido. É este sofrimento imposto nas relações de trabalho que revela o adoecer, pois o que adoece as pessoas é viver uma vida que não desejam, não escolheram e não suportam.
Fonte: www.assediomoral.org

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O ABANDONO DAS COOPERATIVAS DE RECICLÁVEIS DE MARINGÁ: A DIGNIDADE JOGADA NO LIXO.



Na manhã dessa terça feira (25/11) uma atividade acadêmica levou cerca de 40 estudantes do curso de Direito para uma visita a cooperativas de recicláveis em Maringá, localizadas na saída para Astorga. Como acadêmico do curso participei da atividade.

Antes de falar sobre o que vi é importante lembrar que em 2006, após uma determinação do Ministério Público, a Administração Municipal fechou o antigo lixão e as pessoas que lá colhiam recicláveis passaram a fazê-lo no local hoje visitado, destinado a eles pela Administração. A estrutura física é cedida pelo município de Maringá, assim como os dois caminhões disponíveis para a coleta de recicláveis de toda a cidade. Essas cooperativas visitadas já contaram com mais de 90 cooperados e hoje contam com pouco mais de 20.

As condições do local ao qual essas pessoas são submetidas são assustadoras. O cheiro é forte. Não há equipamentos de proteção individual para todos e muitos separam o reciclável do lixo sem sequer usar luvas. Mas isso não é tudo.  A água que bebem foi contaminada por uma empresa da região. Aqueles que não trazem água de casa acabam bebendo essa água contaminada. Cooperados relataram ainda que grande parte do material que chega a cooperativa não é aproveitado pois fica exposto ao tempo em os barracões que não possuem cobertura. Quando chove o material é perdido.  Uma das cooperadas relatou que no último mês, após o rateio entre os cooperados, ela recebeu R$ 350,00. Segundo ela, muitos já falam em abandonar a cooperativa, que desde 2006 não recebeu nenhuma melhoria.

Várias questões envolvem essa problemática. A primeira delas trata-se das condições sub-humanas a que essas pessoas estão submetidas. Inaceitável. Outra questão é, se esse serviço poderia ser realizado pelo município como se daria a inclusão social dessas pessoas? E se algum coletor de recicláveis for vítima de um acidente durante a coleta, ou ficar doente devido as condições insalubres, a Administração irá se responsabilizar? 

Por fim, o abandono das cooperativas de coleta de recicláveis por parte da Administração Municipal significa a falta de política ambiental efetiva que favoreça e incentive a separação e coleta de recicláveis. E mais grave ainda, o desrespeito por parte da Administração a dignidade dessas pessoas que são expostas essas condições sub-humanas. Fechar essas cooperativas não é a solução do problema, mas sim, dar condições para que essas pessoas possam trabalhar com dignidade.

Fica um apelo as autoridades públicas relacionadas ao Meio Ambiente para que visitem essas cooperativas e constatem essa inaceitável realidade.





(A quem interessar possa: tenho provas de todas as informações aqui apresentadas. Sou servidor municipal, trabalho à noite e esse texto foi produzido pela manhã, portanto fora do meu horário de trabalho. Qualquer retaliação contra mim, motivada pela exposição desse conteúdo, será imediatamente comunicada às autoridades competentes).

domingo, 16 de novembro de 2014

Assédio Moral no Trabalho

O que a vítima deve fazer?

  • Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações sofridas (dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do agressor, colegas que testemunharam, conteúdo da conversa e o que mais você achar necessário).
  • Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que já sofreram humilhações do agressor.
  • Organizar. O apoio é fundamental dentro e fora da empresa.
  • Evitar conversar com o agressor, sem testemunhas. Ir sempre com colega de trabalho ou representante sindical.
  • Exigir por escrito, explicações do ato agressor e permanecer com cópia da carta enviada ao D.P. ou R.H e da eventual resposta do agressor. Se possível mandar sua carta registrada, por correio, guardando o recibo.
  • Procurar seu sindicato e relatar o acontecido para diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
  • Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
  • Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.
    Importante:
    Se você é testemunha de cena(s) de humilhação no trabalho supere seu medo, seja solidário com seu colega. Você poderá ser "a próxima vítima" e nesta hora o apoio dos seus colegas também será precioso. Não esqueça que o medo reforça o poder do agressor!
    Lembre-se:
    O assédio moral no trabalho não é um fato isolado, como vimos ele se baseia na repetição ao longo do tempo de práticas vexatórias e constrangedoras, explicitando a degradação deliberada das condições de trabalho num contexto de desemprego, dessindicalização e aumento da pobreza urbana. A batalha para recuperar a dignidade, a identidade, o respeito no trabalho e a auto-estima, deve passar pela organização de forma coletiva através dos representantes dos trabalhadores do seu sindicato, das CIPAS, das organizações por local de trabalho (OLP), Comissões de Saúde e procura dos Centros de Referencia em Saúde dos Trabalhadores (CRST e CEREST), Comissão de Direitos Humanos e dos Núcleos de Promoção de Igualdade e Oportunidades e de Combate a Discriminação em matéria de Emprego e Profissão que existem nas Delegacias Regionais do Trabalho.
    O basta à humilhação depende também da informação, organização e mobilização dos trabalhadores. Um ambiente de trabalho saudável é uma conquista diária possível na medida em que haja "vigilância constante" objetivando condições de trabalho dignas, baseadas no respeito ’ao outro como legítimo outro’, no incentivo a criatividade, na cooperação.
    O combate de forma eficaz ao assédio moral no trabalho exige a formação de um coletivo multidisciplinar, envolvendo diferentes atores sociais: sindicatos, advogados, médicos do trabalho e outros profissionais de saúde, sociólogos, antropólogos e grupos de reflexão sobre o assédio moral. Estes são passos iniciais para conquistarmos um ambiente de trabalho saneado de riscos e violências e que seja sinônimo de cidadania.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

(Nota da Oposição à atual direção cutista do SISMMAR)




PARALISAÇÃO DE UM DIA PELO RECEBIMENTO DO VALE ALIMENTAÇÃO. DIA 18 DE NOVEMBRO

Servidoras e servidores,
              Na assembleia do último dia 10 os servidores municipais de Maringá aprovaram a paralisação de um dia de trabalho para o dia 18 de novembro como parte da luta pelo recebimento do vale-alimentação. A reivindicação é justa e embora já tenha sido aprovada pela Câmara de Vereadores a Administração se recusa a ceder qualquer concessão que beneficie os trabalhadores. Mais uma vez a Administração Municipal não valoriza os servidores. Por outro lado, a Administração tem dinheiro de sobra para gastar com um grande número de cargos comissionados e realizar altos gastos com publicidade. Se os servidores, principalmente aqueles que recebem os menores salários fossem valorizados, não precisariam lutar para receber o vale-alimentação. É a Administração a principal responsável pela paralização do dia 18.
             O que se vê nos locais de trabalho é que os servidores estão dispostos a lutar por seus direitos. Porém, o sucesso dessa mobilização não depende unicamente dos servidores pois é necessário o engajamento da atual direção do sindicato na construção dessa paralisação. Infelizmente não temos visto esse engajamento nos anos em que a gestão cutista está à frente da entidade. Não é de hoje que quando as mobilizações dos servidores começam a tomar corpo são abafadas pela direção do sindicato. Ao invés de construir as mobilizações convocando cada trabalhador, em cada local de trabalho, a atual direção do sindicato prefere fazer acreditar que as reivindicações dos servidores serão atendidas nas reuniões de gabinete. Desmobilizam a categoria tentando fazer com que os servidores acreditem que a direção, sozinha, pode conquistar as reivindicações dos servidores. Essa prática tem sido responsável pelas migalhas que os servidores têm recebido nas últimas campanhas salariais.
         Nós, da oposição à direção cutista do sindicato, continuamos do lado dos trabalhadores. Entendemos que é necessário dialogar sim, mas o contrário dessa direção acreditamos que as reivindicações dos servidores só serão conquistadas através da organização, da mobilização e da luta de todos os trabalhadores.
              Estaremos na linha de frente da paralisação pelo vale-alimentação. Mas chamamos a atenção dos servidores: a responsabilidade pelo resultado da paralisação do dia 18 não é apenas de cada um de nós servidores, mas principalmente da direção do SISMMAR que deve construir fortemente essa mobilização. Também cabe a cada um de nós servidores cobrar que os vereadores cumpram o compromisso que assumiram de votar o orçamento de 2015 após a concessão do vale-alimentação.
PARALISAÇÃO DE UM DIA DE TRABALHO DIA 18/11
PELO RECEBIMENTO DO VALE ALIMENTAÇÃO.TODOS À LUTA!
(Oposição à direção cutista do SISMMAR)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

FALTA DE DEMOCRACIA NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE MARINGÁ CONTINUA

Foi rejeitado pela maioria dos vereadores o projeto de lei que previa a volta das eleições diretas para diretores das escolas municipais. Atualmente decide quem serão os diretores é o prefeito.  A população continuará não participando da escolha do diretor das escolas. O modelo atual em que o prefeito decide não é democrático.

Votaram contra o projeto e consequentemente contra a participação popular os seguintes vereadores: Bravin (PP), Dr. Sabóia (PMN), Da Silva (PDT), Carmen Inocente (PROS), Chico Caiana (PTB), Edson Luiz (PMN), Jones Dark (PP), Márcia Socreppa (PSDB).


Votaram favoráveis ao projeto os vereadores: Luizinho Gari (PDT), Humberto Henrique (PT), Luciano Brito (PSB), Luiz Pereira (PTC), Dr. Manoel (PC do B) ,Mário Verri (PT) , Ulisses Maia, SDD.