sábado, 20 de dezembro de 2014

O repugnante Bolsonaro, o machismo e os crimes da ditadura



Bolsonaro disse que a palavra dele é uma arma. De fato, dizer que uma mulher merece ser estuprada ou o contrário, que não merece ser estuprada porque é feia, é uma arma que dispara e acerta todas as mulheres num país em que, segundo as estimativas do Ministério da Justiça, 50 mil mulheres são estupradas por ano.

A fala de Bolsonaro corrobora as já conhecidas posições machistas, racistas e homofóbicas que ele propaga aos quatro ventos. Esta é a segunda vez que ele repete o mesmo ataque à deputada Maria do Rosário (PT). A primeira foi em 2003, quando, além de ameaçá-la, ele a empurrou.

Dizer que uma mulher merece ser estuprada, é ter a concepção do estupro como arma contra as mulheres, assim como esta violência é praticada como crimes de guerra ou como forma de tortura. Por isso, nos solidarizamos com a deputada Maria do Rosário, que sofreu diretamente a agressão, e consideramos que o ataque de Bolsonaro atinge todas as mulheres que vivem num país em que a violência contra a mulher só aumenta. A cada duas horas, uma mulher é assassinada vítima de violência machista, números de uma verdadeira epidemia.

Mas por que Bolsonaro repetiu esta barbaridade justamente por ocasião da discussão sobre a da entrega do relatório da Comissão Nacional da Verdade? Bolsonaro, que já defendeu a tortura publicamente e é um entusiasta do regime militar, condena o relatório e o vê como uma ameaça à impunidade que hoje resguarda os torturadores e assassinos da ditadura. Apesar de todos os limites da Comissão Nacional da Verdade, por pressão dos movimentos sociais e em decisão dividida, o relatório recomenda a não aplicação da Lei da Anistia, o que permitiria julgar e condenar os criminosos do regime militar.

Esta simples recomendação, não tem poder legal e não conta com o apoio nem mesmo da presidente Dilma, que já declarou que “as cicatrizes podem ser suportadas e superadas” e até agora tem se manifestado contra a revisão da Lei da Anistia.

Debates como este deixaram pessoas como Bolsonaro, um militar da reserva e a quem tanto interessa esconder os crimes que os militares cometeram, assim como assegurar que nunca haverá punição a eles, muito incomodadas. E tortura e machismo teve tudo a ver com o regime militar, que se utilizou dos estupros, dos chutes na barriga das grávidas, da tortura mediante à presença dos filhos pequenos, e de todo tipo de intimidação para tentar desmoralizar as mulheres e arrancar informações.

É por isso que a impunidade aos crimes da ditadura não pode prevalecer, pois é esta impunidade que continua dando asas e permitindo que seres repugnantes como Bolsonaro se sintam à vontade para destilar o ódio às mulheres, aos negros, aos pobres, aos indígenas e aos LGB’Ts. Diante do processo pedindo a cassação do seu mandato, Bolsonaro tripudiou, pois nunca foi punido por nada.

As cicatrizes que Dilma quer superar com os pactos e acordos com partidos como o PP, base de sustentação do seu governo e partido do Bolsonaro e do Maluf, estão mais abertas do que nunca. As cicatrizes permanecerão abertas enquanto os criminosos da ditadura continuarem impunes e enquanto pessoas como Bolsonaro continuarem destilando seu machismo no Congresso Nacional.

Ao contrário, não queremos que estas cicatrizes sejam fechadas, pois as mulheres que foram torturadas e assassinadas, ou que tiveram seus filhos desaparecidos na ditadura, assim como todas as mulheres que continuam sendo vítimas da violência, do estupro e do machismo todos os dias, querem justiça!

Cassação do mandato e cadeia para Bolsonaro!
(Fonte: Site do  PSTU)

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