sábado, 28 de março de 2015

Informando: reposição salarial dos servidores municipais.

Como a direção do SISMMAR, apesar de contar com quatro diretores liberados para atividades sindicais não tem tempo para informar os servidores sobre a assembleia da campanha salarial que ocorreu ontem, tomei a liberdade de fazê-lo.

Em votação  os servidores municipais  presentes votaram favoráveis a aceitação da  proposta da Administração. Resultado:  reposição salarial dos servidores municipais será de 7,68%.  

Posteriormente faço um comentário mais detalhado.



quarta-feira, 25 de março de 2015

Relato de um servidor municipal de Maringá, a cidade dos coronéis

 Relato do servidor municipal Bruno Mosconi Ruy:

"Antes de começar, esse é um texto no estilo “Querido diário”. Perdão por isso. Pela manutenção da sua leitura, eu juro que tentarei manter uma longa história curta. E, se ao final dela você achar que vale a pena divulgar, por favor, compartilhe e passe adiante.

Meu nome é Bruno Mosconi Ruy, tenho 28 anos e sou de Esquerda. “Ah, mas quanto de Esquerda você é?”. Pô, não sei. Não sei nem se tem jeito de medir isso em algum grau, mas acredito que seja possível exemplificar com ações, pra se ter uma ideia bem geral do contexto. Então, por exemplo, eu apoiei a Dilma na eleição presidencial do ano passado, e não apoiei a eleição do atual Prefeito de Maringá lá em 2012. Foram engajamentos políticos de Facebook, coisas bestas, práticas e escancaradas, muito longe de serem segredos ou ameaças veladas pra alguém.

Só que não são só segredos que atropelam um ser humano. O excesso de obviedade também machuca, no geral pelo preconceito alheio. Resumindo a coisa toda: o ato de se declarar de Esquerda num cenário de Direita, especialmente no covil de uma Direita atrasada e mesquinha, infelizmente nem sempre é uma iniciativa inteligente e proveitosa. Aconteceu dos meus dedos e da minha boca serem maiores do que o meu bom senso, e esse “ativismo” virtual me rendeu uma boa dose de decepção e dor de cabeça.

Trabalho na Prefeitura da cidade desde 2007. Completarei (ou completaria) oito longos anos de serviço público agora em junho. Como Maringá é uma cidade coronelista, as cabeças no comando do latifúndio permaneceram as mesmas desde que fui aprovado no concurso municipal. Trocando em miúdos, eu dei muito valor à ignorância maringaense e – depositando nela uma fé estúpida – confiei numa virada nas urnas e desafiei o status quo da Prefeitura lá em 2012, declarando a minha oposição.

Esqueci de mencionar uma coisa importante ali no segundo parágrafo: sou formado em História. Ingressei no curso no início de 2009, e desde 2009 tento uma transferência dentro da Prefeitura. Acontece que estou oficialmente vinculado à Secretaria da Fazenda desde o meu primeiro dia de trabalho, e que eu NÃO SOU um homem da Fazenda. Pra bem ou pra mal, eu não escolhi impostos e números como protagonistas das minhas paixões profissionais, e sempre achei que tivesse mais a oferecer em uma área relacionada à minha formação acadêmica. Digo, quem não acha? Então, por três vezes entre 2009 e 2012 tentei essa transferência interna, mirando especificamente a Secretaria da Cultura da cidade, e por três vezes as minhas requisições foram imediatamente negadas. As razões para isso eram sempre as mesmas: a Secretaria da Fazenda estava em déficit de funcionários, e não podia se dar ao luxo de dispensar mais um. Paciência, a vida segue.

No início de 2013, eu recebi o esperado anúncio de que tinha sido aprovado para o Mestrado em História. Caramba, uma excelente notícia, mas com os seus reveses. Um deles, o mais agressivo de todos: eu teria que me afastar da Prefeitura, sem salário. Os horários do Mestrado e a possibilidade de uma bolsa de estudos impediam o meu vínculo direto com a instituição. Bom, então fiz o que estava legalmente ao meu alcance: entre janeiro e fevereiro de 2013, solicitei uma licença não remunerada de dois anos, que começaria em abril. Só que um pouco antes de sair pra esse período sabático de estudos, o reflexo das estruturas políticas que acusei e defendi em 2012 se fariam visíveis pela primeira vez na minha dimensão trabalhista.

É costume dos Prefeitos eleitos visitarem todas as Secretarias da Prefeitura nos primeiros dois ou três meses do ano seguinte às eleições. Como a minha licença estava prevista apenas para abril de 2013, no final de janeiro eu tive a não muito prazerosa chance de me encontrar com o político que não apoiei, cerca de uma semana depois de entrar com a bendita papelada do afastamento.

O setor ao qual eu estava subordinado na Secretaria da Fazenda consistia em cerca de trinta guichês, separados por pequenas paredes de madeira. Em alguns desses guichês, o Prefeito parou por mais tempo – trocou risadas, conversas, fotos. Em outros, ele apenas deu uma rápida passada, um aperto de mão e um sorriso amarelo, e assim seguiu sua peregrinação de reconhecimento e agradecimentos. Quando ele chegou no meu cubículo, eu não ganhei risada, conversa, foto, aperto de mão ou sorriso.

"Sabe quem eu sou, cara? Eu sou o PREFEITO de Maringá. Não se esquece disso". Foi só o que ele me disse, batendo de leve com as costas da mão direita na parede de madeira que separava o meu guichê do vizinho. Eu não esperava um beijinho no rosto, é claro, especialmente levando em consideração nossas diferenças políticas, mas confesso que também não esperava essa truculência toda. Aliás, eu sequer esperava por essa patrulha de Facebook. Mas, de novo, eu tenho esse costume babaca de subjugar a ignorância alheia.

No dia seguinte, ganhei mais detalhes dessa truculência. Duas colegas vieram me dizer que o Prefeito supostamente estava interessado no meu histórico de trabalho. Primeiro, quis saber se eu era funcionário de concurso ou estagiário. Sabendo que eu era concursado, ele quis saber se eu ainda estava no meu estágio probatório. Sabendo que eu já estava devidamente efetivado desde 2010, ele quis saber como estava a minha ficha de produção e assiduidade na Secretaria da Fazenda. De consciência limpa, eu só esperei pelas implicações desse pente fino. Elas obviamente não vieram, não tinham de onde vir. Então os dias viraram semanas, as semanas viraram meses e abril chegou, e com ele a minha esperada licença.


Se você é bom em Matemática e está prestando atenção no texto, já deve ter percebido que meu afastamento de dois anos está prestes a se encerrar, agora em 2015. Tenho pouco mais de uma semana até o fim dele, e a iminência desse fim me motivou a tentar a almejada transferência, pela quarta e última vez. Conversei com alguns dos meus superiores hierárquicos da Secretaria da Fazenda, e eles me aconselharam a persistir com o procedimento. Não havia mais déficit de funcionários, o caminho estava livre. Então entrei com a burocracia no setor de recursos humanos, e eles me encaminharam para uma entrevista com a própria Secretária da Cultura. Uau, né? Esse foi o mais próximo que eu já cheguei de um sonho de seis anos, e me empolguei num nível sem precedentes.

Foi tudo muito rápido. Há pouco mais de uma semana, a Secretária me recebeu com muitos sorrisos e presteza, e quis saber mais sobre o meu histórico acadêmico e trabalhista: o que eu aprendi no curso de História, com quem eu lidei, como foi a minha experiência na Secretaria da Fazenda, quais eram as minhas motivações para tentar uma vaga na Cultura naquele momento. Eu disse tudo e um pouco além, com a mesma paixão que costumo empregar em qualquer outra coisa que eu faça. O resultado dessa entrevista? A Secretária me ofereceu três opções de transferência: duas vagas em bibliotecas da cidade e uma outra, menos garantida, no Patrimônio Histórico da Secretaria. Segundo ela, seria uma questão de movimentar a burocracia, e eu logo estaria trabalhando com o pessoal da Cultura.

Um pouco antes de apertar a minha mão e me liberar da entrevista, ela me encarou para uma última pergunta. Essa pergunta foi feita de supetão, completamente aleatória, como se a Secretária tivesse se lembrado de que PRECISAVA fazer, de que era praxe da instituição zelar por essa tradição: “Qual é a sua inclinação política, Bruno?”. Como responder a isso? Como responder a uma pergunta que, em primeiro lugar, sequer deveria ter sido feita? Fui sincero como deu: eu não tenho nem nunca tive qualquer filiação ou militância partidária, mas tenho minhas preferências, a minha parcialidade ideológica. Depois de alguns segundos de silêncio, ela pediu meu telefone e o meu nome completo. Fez questão de confirmar todas as vogais e consoantes, e disse que entraria em contato comigo em algum momento da semana, depois de movimentar a papelada. Essa “semana” acabou ontem. Como não recebi qualquer telefonema, resolvi ligar por conta.

Então as ameaças de 2012 e 2013 finalmente bateram à porta. Pelo telefone, o serviço de recursos humanos me informou de que meu “perfil” foi “oficialmente recusado”. Isso, recusado. Em menos de sete dias, as duas vagas das bibliotecas municipais foram magicamente “preenchidas”, e a vaga do Patrimônio Histórico sequer foi considerada. Em menos de uma semana, eu saí de uma questão meramente documental e burocrática, praticamente garantida, para o esquecimento completo: de uma hora para a outra, a Secretaria da Cultura simplesmente não tinha mais espaço para mim, um funcionário com oito anos de casa e experiência na área.

É claro que eu quis esclarecimentos sobre isso. Quem em sã consciência afundaria assim, sem lutar? Como a Secretaria da Cultura está a apenas algumas quadras da minha casa, desliguei o telefone e imediatamente andei até lá. Fui educadamente recebido pelo pessoal dos recursos humanos, os mesmos que me atenderam alguns minutos antes. As explicações foram as mesmas, só que um pouco mais comedidas. De braços cruzados e bocas secas, estavam todos nervosos e apreensivos, eles e eu. Quando percebi a delicadeza da situação, coloquei todas as cartas na mesa: quis saber se a decisão final sobre a minha recusa tinha alguma motivação política, baseada nos meus apoios passados.

“Motivação política” foi a expressão-chave do cenário. Os funcionários que me atenderam disseram que, dadas as “novas” informações sobre os meus posicionamentos esquerdistas, não descartavam a possibilidade da minha transferência ter sido bloqueada por forças maiores, ideologicamente inspiradas. “Você tem que entender que eles são todos políticos, Bruno”. Encerrando a conversa com a cereja no bolo, também disseram que as vagas das bibliotecas foram preenchidas por “pessoas conhecidas” da Secretaria da Cultura, e que a Secretária não tinha qualquer outra coisa a acrescentar à situação. Ela também não me receberia para outra conversa, "agenda cheia". Minhas chances estavam mortas, o martelo estava batido.

Aprendi algumas coisas ao longo do meu curso de História. Por exemplo, aprendi que essa confusão entre o que é público e o que é privado é ancestral. Durante o período eleitoral de 2012, eu nunca ataquei o universo particular do candidato que não apoiei. Eu nunca levei minhas preferências políticas para dentro do meu trabalho. As ideologias que “ataquei”, as ideologias que defendi, todas elas ficaram retidas nesse complexo universo que é a Internet. No meu guichê, eu sempre agi com diligência e dedicação. Só que, de alguma forma, esse universo virtual transbordou. E tudo aquilo que eu não levei para o serviço público, tudo aquilo que eu decidi não misturar, foi levado e misturado pra mim, na minha fuça, num joguete estúpido de quem tem o poder maior. Tendo o mínimo poder que tenho, perdi essa guerrinha de interesses. E perdi com folga.

Eu muito provavelmente solicitarei a minha exoneração nos próximos dias. Não sei se era esse o objetivo final de alguém na Prefeitura, mas meu orgulho tem limites. Não estou interessado em implorar ou compactuar com um serviço que exija cabresto de seus funcionários. Não estou interessado nesse esquema de “cobra come cobra”. Não estou interessado em um lugar que não respeita a minha produtividade porque prefiro manter a minha barba grande, ou porque gosto mais da cor vermelha do que da cor azul. Não estou interessado em jogos de influência e puxa-saquismo.

No que eu estou interessado? Estou interessado em ler, escrever, pesquisar, aprender e ensinar. Com competência, paixão e total dedicação, como sempre fiz. Estou interessado em crescer. Se você é alguém que compactua com os meus interesses e tem alguma vaga no seu projeto e/ou na sua equipe, eu ficaria mais do que contente em integrá-la. Meu histórico comprova que trabalho e esforço nunca foram problemas pra mim. Agora, se os meus vieses políticos pesarem mais do que o meu alcance profissional, não perca o seu tempo e faça como fez a Prefeitura de Maringá: deixe a sua mesquinharia anular a minha disposição em ajudar".

domingo, 22 de março de 2015

PARA SERVIDORES MUNICIPAIS: A DISTÂNCIA ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA



Na assembleia de sexta houve deliberações importantes: a recusa da proposta da Administração, uma nova assembleia para a próxima sexta com possibilidade de indicativo de greve. Até a assembleia de sexta, caso não seja apresentada uma proposta decente deverá ser votado um indicativo de greve. Os servidores esperam que a direção sindical construa uma mobilização até a próxima assembleia. E essa mobilização poderia pressionar a Administração para que apresente uma proposta decente de reajuste.  

Lamentavelmente, dois dias depois da última assembleia a direção ainda não publicizou no site do sindicato esses encaminhamentos. Ou seja, a direção vai promover uma mobilização manca, para “inglês ver”. 

Uma demonstração de distância entre o discurso e a prática, o que se fala e o que não se faz. Quem sofre com isso? Toda categoria.

sábado, 21 de março de 2015

SERVIDORES REJEITAM A PROPOSTA DA ADMINISTRAÇÃO



Na assembleia de ontem, que tinha como pauta a campanha salarial, a Administração manteve sua proposta anterior: apenas a reposição do índice da inflação.

Os servidores aprovaram o seguinte:

1º-rejeitada a proposta da Administração;

2°-ficou marcada para próxima sexta feira uma nova assembleia na qual caso a Administração não apresente outra proposta, será marcado nessa assembleia a data de um indicativo de greve.

Os trabalhadores não podem pagar pela crise. A Administração deveria apresentar uma proposta que valorizasse os servidores.  Basta reduzir o número de cargos de confiança e rever seus gastos com propaganda, por exemplo.

 Os trabalhadores não podem pagar pela crise.

quinta-feira, 19 de março de 2015

UMA ALTERNATIVA PARA OS TRABALHADORES MUNICIPAIS



As seis da manhã de hoje estivemos na SEMUSP realizando uma panfletagem e construindo a oposição a atual diretoria do Sismmar. Fomos muito bem recebidos pelos trabalhadores do Semusp. Eis o conteúdo do panfleto entregue:

PRECISAMOS ELEGER OUTRA DIREÇÃO PARA O SINDICATO
Trabalhadores(as) municipais de Maringá:
    Somos um grupo de oposição à atual direção do sindicato.  Estivemos à frente da greve de 2006, na vitoriosa campanha contra a privatização da coleta de lixo e contra a privatização do Hospital Municipal em 2007. Na época tínhamos um sindicato à serviço dos servidores e não um sindicato parceiro da Administração.  Fomos injustamente demitidos, reintegrados mas não abandonamos a luta.
    A atual direção está à frente do sindicato há sete anos. É preciso eleger uma direção combativa e que lute de verdade pelos direitos dos servidores. Uma direção que não se curve aos ataques da Administração.
   No último congresso houve mudanças no estatuto do sindicato que valem para as eleições deste ano. Antes, o servidor que fosse filiado há três meses poderia votar. Com a alteração no estatuto, é exigido que o servidor tenha seis meses de filiação para ter o direito de votar.
   Por isso fazemos um chamado a você servidor filiado ou não. Aos companheiros filiados desde já nos colocamos como uma alternativa na eleição sindical desse ano. Aos não filiados lembramos que é importante se filiar até o final desse mês para ter o direito de votar na eleição para direção do sindicato. Precisamos retomar o sindicato para as lutas dos trabalhadores
   É necessário eleger outra direção para o sindicato. Transforme a sua insatisfação com a atual direção sindical em ação. Participe da vida política do sindicato, filie-se. Ajude construir essa oposição para mudar os rumos do nosso sindicato.
ASSEMBLEIA DA CAMPANHA SALARIAL
             Fazemos também um chamado para que compareçam à assembleia da campanha salarial que acontece nessa sexta-feira (20/03) às 18:30 hs na Câmara de vereadores.