quarta-feira, 16 de novembro de 2016

“Se caráter custa caro pago o preço”.


Em nada me agrada revirar o passado, ainda mais quando se trata de lembranças ruins. Porém, há algum tempo tenho vontade de publicizar algumas informações, o que talvez deveria ter feito há mais tempo.
 
É público que renunciei a candidatura à presidência do SISMMAR na última eleição para diretoria. Na época divulguei uma nota pública (sem ofender a ninguém da chapa) e citei o motivo: “interferência partidária”. Foi uma surpresa para muitos servidores pois nossa chapa tinha grandes chances de vencer a eleição e mudar a situação do sindicato.

Após a renúncia a indústria de boatos estava a todo vapor, alimentada inclusive por membros da chapa ligados a um partido. Insinuaram publicamente que eu teria recebido vantagem para renunciar.  As pessoas que me conhecem sabem que eu jamais faria isso. Afinal, após de ter sofrido por anos tantas perseguições por parte da Administração Silvio/Pupin, nunca estive à venda. Mais detalhes adiante.

ENTÃO, QUAL O MOTIVO DE MINHA RENÚNCIA?
Respondo: um partido intentava mandar no sindicato, caso vencêssemos. Essa interferência já acontecia inclusive dentro da própria chapa. Não concordei com isso pois tinha me comprometido com os servidores em fazer uma gestão independente de partidos políticos. Fazer política sindical sim, mas não política partidária. 

UM FATO QUE POUCOS SABEM.
Na reunião da chapa que culminou com minha renúncia, para que a chapa continuasse cheguei a propor que fosse votada a minha permanência ou a permanência dessa servidora (ligada a esse partido). Era impossível a permanência de ambos pois a confiança foi quebrada totalmente. Os membros da chapa presentes na reunião não queriam que saísse nem um nem outro. Não me restou outra alternativa senão renunciar.

Ou seja, essa servidora que fazia parte da chapa e era ligada a esse partido, teve a oportunidade de manter a chapa na disputa. Mas preferiu permanecer para que eu renunciasse. Os servidores que estavam nessa reunião sabem que essa votação aconteceu.

POR QUE PREFERIRAM MINHA RENÚNCIA?
Porque poderiam fazer um remanejamento e colocar outro nome para presidente faltando poucos dias para eleição. Porém, outros servidores também renunciaram comigo, o que tornou a chapa inelegível. 

Por ter renunciado, pessoas ligadas a esse partido me ofenderam e desqualificaram publicamente. E continuam fazendo isso até hoje. Por que o fazem?  Talvez receio de que eu venha a concorrer ao sindicato novamente. Mas aguentei todas as ofensas e decidi naquele momento não processar ninguém. 

Talvez com a divulgação dessas informações cessem as difamações. Afinal, agora torna-se público que pessoas da chapa, ligadas a esse partido, tiveram a oportunidade de manter a chapa na disputa, mas não o fizeram, com a esperança que eu renunciasse solitariamente.

Só para constar. Tenho apenas uma conta bancária: a conta que recebo meu salário. Só a movimento uma vez por mês, quando saco meu salário. Também não possuo nenhum cartão de crédito, exceto aquele que se usado já vem descontado no salário. Também não tenho cheques. Como boa parte dos servidores tenho empréstimos descontados no meu salário. Com 14 anos de trabalhando de prefeitura meu salário base é de R$ 1.521,00 mensais o que pode ser confirmado no site da prefeitura. Meu patrimônio? Um Palio ano 2004, que hoje vale pouco mais de R$ 8.000,00 e uma moto que vale R$ 2.600,00. Continuo morando no mesmo quintal que minha mãe. Ah, tenho vergonha de divulgar essas informações pessoais.

Gente, há bens   muito mais valiosos do que qualquer patrimônio.  Entre eles, honra e caráter. Honrar o nome de meu avô, Vicente Vidigal, que foi motorista de ambulância da prefeitura e faleceu pouco tempo depois de aposentar-se. Honrar o nome de meu pai, que também foi motorista na prefeitura e aposentou-se há pouco tempo. Enfim, honrar minha família. Defeitos? Tenho muitos, mas não possuo desvio de caráter.

Muitos servidores têm falado comigo para que eu retorne à luta. Agradeço de verdade esse reconhecimento. Digo a vocês que continuarei na luta. Talvez não disputando novamente a eleição do sindicato, mas estarei sempre à disposição daqueles que lutam por seus direitos, por valorização, por dignidade e que anseiam por um sindicato que não esteja a serviço de um partido, seja ele qual for. 

Finalizo com um trecho do poema “Roteiro” do poeta Sidônio Muralha:
“Parar? Parar não paro.
Esquecer? Eu não esqueço.
Se caráter custa caro pago o preço”.



5 comentários:

  1. Parabens pela conduta de homem sério e de carater transparente. Lamentavelmente uma Grande perda da classe trabalhadora, principalmente, os servidores municipais de Maringá. Sempre confiei na lisura e transparência do Seu ideal altruistico em prol das pessoas de bem.

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  2. Parabéns pela coragem e por não aceitar esta interferência de partidos. Com certeza foi a melhor opção.

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  3. Apesar de termos pensamentos politicos completamente diferentes, ganhou meu respeito com essa exposição. Também concordo que sindicato é pra defender servidor e não servir de trincheira partidária.

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  4. Fiquei chocada com sua saída, mas tenho certeza que pensará bem e retornará a luta pois precisamos de pessoas dignas, honradas para comandar nosso batalhão de servidores. Não optando por meia dúzia ou mesmo por um partido politico.Nós servidores contamos com vc novamente com uma chapa boa e com certeza vitoriosa. Sei o que passou pois também passei por isso e com certeza pela mesma pessoa, mas Deus tarda mas não falta, amigo.Com carinho Ivonete.

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  5. Parabéns Paulo. As atitudes definem um homem e você merece a admiração que os servidores lhe tem.

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